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Marina Colasanti

Marina Colasanti (1937-2025) foi uma escritora, jornalista, tradutora e artista-plástica ítalo-brasileira. Nascida em Asmara, na Eritreia, deixou um legado de mais de 60 obras que incluem poesia, contos, crônicas e literatura infantil. Reconhecida por sua escrita sensível e reflexiva, recebeu prêmios como o Jabuti e o Machado de Assis da ABL. Sua obra segue inspirando gerações com sua profundidade e beleza.

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Teu corpo é canoa em que desço vida abaixo morte acima procurando o naufrágio me entregando à deriva. Teu corpo é casulo de infinitas sedas onde fio me afio e enfio invasor recebido com licores. Teu corpo é pele exata para o meu pena de garça brilho de romã aurora boreal do longo inverno.

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Meu pescoço se enruga, imagino que seja de mover a cabeça para observar a vida. E se enrugam as mãos cansadas de seus gestos. E as pálpebras apertadas no sol. Só da boca não sei o sentido das rugas, se dos sorrisos tantos ou de trancar os dentes sobre caladas coisas.

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Não existem vidas insignificantes. Cada vida é um universo estrelar em que outras vidas orbitam com seus temores e seus amores. E para cada vida, todo dia, do passado ou do futuro, vale muitos anos luz.

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Mas a leitura da vida não se faz só com os próprios olhos, entram na receita a sensibilidade e os conhecimentos que se têm.

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⁠Abro a porta do armário como abro um diário, a minha vida ali dependurada.

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Assim a vida vai, entre os revolucionários que gostam de mudanças, e os conservadores que não gostam delas.

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⁠Desconfie, portanto, dos liberados sem felicidade. Dos liberados agitados, tensos, nervosos, sempre em busca de novas afirmações libertatórias. A liberação verdadeira é equi­líbrio, é serenidade, e transmite sua paz facilmente.

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E ali reclinado sobre a vida, descobriu aquilo que nunca suspeitara. Não era ele, com seus passos, que ordenava tudo, que comandava o salto do grilo, o vento da espiga, as pás do moinho. Mas eram eles, grilo e espiga, cada um deles que, com seus pequenos movimentos, faziam os passos do tempo.

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